A endometriose profunda é uma forma mais complexa da doença, que pode afetar estruturas importantes da pelve e causar dor intensa, sintomas intestinais ou urinários e grande impacto na qualidade de vida da mulher.
Embora o tratamento clínico seja, muitas vezes, a primeira abordagem, nem sempre ele é suficiente para controlar os sintomas ou impedir a progressão da doença.
Nesses casos, surge uma dúvida comum: quando a cirurgia passa a ser a melhor escolha?
Entender os critérios, os sinais de alerta e os benefícios da abordagem cirúrgica é indispensável para tomar uma decisão segura e individualizada.
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O que é a endometriose profunda?
A endometriose profunda é uma forma mais avançada da endometriose, caracterizada pela presença de lesões que infiltram mais de 5 mm abaixo da superfície dos tecidos, atingindo estruturas mais profundas da pelve.
Diferente da endometriose superficial, que acomete apenas a camada mais externa do peritônio, a forma profunda pode comprometer órgãos como intestino, bexiga, ureteres, ligamentos uterossacros e a região atrás do útero, causando inflamação intensa e alterações anatômicas.
Esse tipo de endometriose está frequentemente associado a dor pélvica mais intensa, dor durante a relação sexual e sintomas intestinais ou urinários cíclicos, especialmente durante o período menstrual.
Por se tratar de uma condição mais infiltrativa, a endometriose profunda pode levar à formação de nódulos, fibrose e aderências que “fixam” os órgãos pélvicos, contribuindo para dor crônica e possível comprometimento da função desses órgãos.
Além disso, segundo a American College of Obstetricians and Gynecologists, essa forma da endometriose pode estar associada à maior impacto na qualidade de vida e, em alguns casos, à infertilidade, especialmente quando há distorção da anatomia pélvica.
Quais são os principais sintomas da endometriose profunda?
A endometriose profunda costuma causar sintomas mais intensos e específicos, especialmente quando há comprometimento de órgãos pélvicos e estruturas mais profundas.
Entre esses sinais, estão:
- Dor pélvica crônica persistente, que pode ocorrer mesmo fora do período menstrual;
- Cólicas menstruais intensas e progressivas;
- Dor durante a relação sexual, principalmente em profundidade;
- Dor ao evacuar, especialmente durante a menstruação;
- Dor ao urinar, principalmente no período menstrual;
- Alterações intestinais cíclicas, como diarreia, constipação ou distensão abdominal;
- Sensação de pressão ou peso na pelve;
- Infertilidade ou dificuldade para engravidar.
Como realizamos o diagnóstico da endometriose profunda?
O primeiro passo é a análise dos sintomas associada a um exame físico ginecológico cuidadoso.
Assim, podemos identificar sinais como dor à palpação, espessamentos ou nódulos em regiões profundas.
Para confirmação e mapeamento da doença, os exames de imagem têm papel fundamental.
Consideramos a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética, métodos de alta acurácia para identificar lesões profundas, avaliar sua extensão e verificar o comprometimento de órgãos como intestino, bexiga e ureteres.
Esses exames nos permitem um planejamento mais preciso do tratamento, especialmente quando há suspeita de endometriose profunda.
Embora a laparoscopia com confirmação histológica tenha sido tradicionalmente considerada padrão-ouro, atualmente ela é mais indicada em casos selecionados, principalmente quando há necessidade de tratamento cirúrgico.
O tratamento medicamentoso funciona para endometriose profunda? É possível controlar a doença sem cirurgia?
A terapia clínica, baseada principalmente no uso de hormônios que reduzem a ação do estrogênio, tem como objetivo diminuir a inflamação e aliviar a dor, podendo ser eficaz em muitos casos.
Entretanto, essas medicações não eliminam as lesões já existentes, apenas reduzem sua atividade, o que significa que a doença pode continuar presente e, em alguns casos, evoluir ao longo do tempo.
Por isso, em determinadas situações, é possível sim controlar a endometriose profunda sem cirurgia, principalmente quando os sintomas estão bem manejados, não há grande prejuízo da qualidade de vida e não existe comprometimento funcional de órgãos como intestino, bexiga ou ureteres.
Nesses casos, o acompanhamento regular é essencial para monitorarmos a evolução da doença.
Por outro lado, podemos indicar a cirurgia quando há dor persistente, efeitos colaterais devido à medicação, infertilidade associada ou sinais de infiltração profunda com risco de complicações.
Como realizamos a cirurgia para endometriose profunda?
Realizamos o procedimento por técnicas mínimamente invasivas, como a laparoscopia ou cirurgia robótica.
Nessas abordagens, fazemos pequenas incisões no abdômen para introdução de uma câmera e instrumentos cirúrgicos.
Isso nos permite visualizar com precisão toda a cavidade pélvica e remover as lesões profundas, muitas vezes localizadas em estruturas como intestino, bexiga, ureteres e ligamentos uterinos.

A cirurgia robótica, em especial, nos oferece maior precisão dos movimentos, visão ampliada em três dimensões e melhor controle em áreas delicadas, sendo uma alternativa importante em casos mais complexos.
No nosso site, temos um artigo completo sobre a cirurgia robótica, confira!
Além disso, em situações em que há acometimento de órgãos, pode ser necessária uma abordagem multidisciplinar, envolvendo, por exemplo, cirurgiões do aparelho digestivo ou urologistas.
Dessa forma, garantimos a remoção adequada das lesões e a preservação das funções.
A cirurgia cura a endometriose profunda?
É importante entender que a cirurgia pode proporcionar melhora dos sintomas e trazer qualidade de vida.
Ademais, ela aumenta as chances de gestação em alguns casos.
Porém, o procedimento não garante a cura definitiva da endometriose.
Isso porque, esta é uma doença crônica, com possibilidade de recorrência ao longo do tempo.
Por isso, após o procedimento, muitas pacientes devem seguir em acompanhamento e podem utilizar tratamento hormonal para reduzir o risco de retorno da doença.
Assim, mais do que pensar em “cura”, a cirurgia deve ser vista como parte de um plano de tratamento contínuo e individualizado.
Endometriose profunda? Conte com a Dra. Graziele Cervantes
Saber se a cirurgia é a melhor escolha para o seu caso de endometriose profunda depende de uma avaliação personalizada.
Devemos considerar a intensidade dos sintomas, a resposta ao tratamento clínico, a extensão das lesões e o possível comprometimento de órgãos.
Em geral, passamos a considerar a abordagem cirúrgica quando há dor persistente mesmo com o uso de medicamentos, impacto importante na qualidade de vida, infertilidade associada ou risco de prejuízo funcional dos órgãos afetados.
Nesses casos, a cirurgia pode ajudar a remover as lesões, aliviar os sintomas e restaurar a anatomia da pelve.
Procurar uma especialista em endometriose profunda é essencial sempre que os sintomas não melhoram com o tratamento, quando há suspeita de doença infiltrativa ou quando existem questões sobre a melhor estratégia.
Uma avaliação especializada permite um diagnóstico mais preciso, com exames adequados e planejamento completo do tratamento, inclusive quando há necessidade de cirurgia minimamente invasiva, como laparoscopia ou robótica.
Se você tem diagnóstico de endometriose profunda, apresenta dor persistente ou deseja uma segunda opinião sobre a necessidade de cirurgia, agende uma consulta com a Dra. Graziele Cervantes.
Assim, poderemos tirar todas as suas dúvidas e definir a abordagem ideal para o seu caso!
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Formação da Dra. Graziele Cervantes
- Ginecologista e Obstetra formada pela Maternidade Darcy Vargas - SC em 2016;
- Especialização em Endoscopia Ginecológica e Endometriose pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2016-2018);
- Curso de Imersão em Laparoscopia em Clermont-Ferrand, França (2019);
- Especialização em Longevidade e Medicina Ortomolecular;
- Médica Assistente do Setor de Endoscopia Ginecológica e Endometriose da Santa Casa de São Paulo;
- Professora da Pós Graduação de Videoalaparoscopia e Histeroscopia da Santa Casa de São Paulo - NAVEG;
- Mestra da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.










